Infância e Meditação

Siddhartha diz: – “A criança ainda está numa fase de pureza, ela precisa viver este momento de vida, ser criança com totalidade. Precisa brincar! A meditação não pode se tornar um condicionamento, forçar uma criança a uma técnica seria reprimi-la. Se ama seus filhos, não os faça fazer nada além de viver sua doce infância. Celebre com eles, dance com eles, solte a sua criança, não destrua a criança em seus filhos.”

Minha primeira experiência

Essas palavras ecoam em meu ouvido e ativam lembranças de minha infância.

A prática da meditação apareceu na minha vida muito antes da minha chegada à Delphis Universalis. Quando eu era ainda muito pequena, não lembro bem a idade, meu pai me levou para praticar meditação.

Lembro que preparamos uma cesta com frutas e levamos até o local da prática. Este gesto representava uma espécie de ritual de iniciação, então, tratamos logo de providenciar o nosso e lá fomos nós.

Pela minha pouca idade não consigo lembrar claramente o que aconteceu naquele dia, só sei que saímos de lá cada um com uma palavra, especialmente destinada a cada um de nós, com a qual deveríamos meditar por cerca de cinco minutos todos os dias. O exercício consistia em procurar um lugar calmo e tranquilo no qual pudéssemos pensar na palavra até que o tempo acabasse.

No começo achei aquilo incrível, como toda criança empolgada com um novo brinquedo, algo diferente que estava experimentando, uma nova forma de brincar junto de meu pai. Mas, uma semana depois já tinha abandonado a prática diária.

A prática da meditação não combina com uma criança

Era extremamente difícil para mim, uma criança, me afastar de todos, deixar de brincar com as outras crianças e procurar um local silencioso para pensar por cinco intermináveis minutos em uma palavra que nem do meu idioma era. Sim, cinco minutos era muito mais um pesadelo do que um momento de paz que experimentava. Eu precisava brincar e não ficar quieta num canto. Cinco minutos na percepção de tempo de uma criança é uma eternidade! Mas, vejo que nem meu pai conseguiu criar o hábito e, mesmo com boa intenção, que bom que a meditação para mim não rolou nessa época.

Por isso, fica claro para mim quando Siddhartha fala que a prática da meditação não combina com uma criança.

Não posso negar que a prática da meditação é algo familiar e, de qualquer forma, creio que uma sementinha foi plantada pelo meu pai naquela ocasião. Na verdade, tenho a sensação que esta foi mais uma lembrança de algo que está presente em mim há muito mais tempo.

Anos mais tarde algo ainda pulsava dentro de mim e quando percebi estava em uma sala diante de Siddhartha, cantando mantras ao som do Kamasutra Project e praticando meditação, completamente envolvida e encantada com aquela nova experiência que, na verdade, tinha um sabor de continuação de algo que já era parte de meu existir.

No curso de uma vida há apenas um momento para ser criança, repleto de aprendizagem e brincadeira. Uma criança precisa experienciar plenamente esta fase, pois ela logo termina. Hoje, trabalho com crianças e revivo todos os dias um pouco dessa magia que é a infância. Então, se sentir que a meditação é o seu caminho, siga-o e deixe suas crianças apenas serem crianças.

Criança feliz brinca!

Siddhartha fala de Crianças e Meditação assista o vídeo.